terça-feira, 9 de abril de 2013

Conto: "Fé: amar o belo é fácil!"



Um rico homem vivia muito bem com sua família, numa confortável casa. Tinha um carro do ano, fazia viagens frequentemente, filhos na faculdade. Aos domingos todos se reuniam ao redor da grande mesa de churrasco, cada qual querendo mais contar sobre sua semana, a carne, a bebida e a alegria eram fartas.

O homem era muito religioso, católico praticante, não perdia uma missa de domingo, contribuía rigorosamente com o dizimo, ajudava nas benfeitorias de sua paróquia e participava das campanhas de amparo aos necessitados. Era extremamente grato à Deus por ter sua vida tão perfeita e tão feliz. Não cansava de propagar as bênçãos do senhor que o havia dado uma família, saúde e prosperidade.

Em determinado momento de sua vida, por um golpe do destino, em um empreendimento errado, perdeu tudo. Foi à falência total, ficando apenas com o imóvel que morava, o carro e nenhuma economia mais. Não tinha mais sua empresa, seu sustento e nem como continuar proporcionando a todos o conforto de sempre.

Caiu em desesperada depressão. ”Como é aquilo tinha acontecido? Lutar pra que agora? Fora enganado, ludibriado...”.

Amigos, vizinhos, parentes, todos vinham consolá-lo. Um oferecia um ombro, outro uma palavra, houve que trouxesse um emprego. Mas nada o tirava daquela apatia. Não conseguia enxergar em sua frente todos aqueles que tentavam ajudá-lo. Sentia-se vitimado, injustiçado, atraiçoado.
O padre fez campanha de arrecadação à seu favor, os filhos arranjaram emprego para ajudar na casa e pagar as faculdades, a mulher passou a fazer docinhos pra fora, todos de alguma maneira tentaram contribuir para que ele retomasse o gosto pela vida.

Mas tudo foi em vão, a tristeza tomou conta daquele homem de uma maneira que nada mais tinha graça. Chorava, apenava-se de si mesmo, não tinha vontade de sorrir, de falar, de olhar à sua volta.

O tempo foi passando e eis que subitamente ele teve um mal estar e morreu.

Chegando à pátria espiritual, logo de cara encontrou o mentor que o acompanhava. Não pode crer quando se deu conta de seu novo estado! E foi logo questionando:

Como é que ele, que sempre fora tão digno e honesto, que sempre acreditou em Deus, que sempre ajudou ao próximo, havia caído daquela maneira? Como é que Deus o abandonou na hora em que ele mais precisava?? Não era justo que isto tivesse acontecido!

E então, com olhar sereno e piedoso, o mentor respondeu:

- Justo?

O que não foi justo foi a sua falta de fé para com Aquele que, sobretudo, esteve ao seu lado.
Amar o belo é fácil. Correr com as duas pernas é fácil. Acreditar em Deus quando tudo está perfeito é fácil também.

Mas a fé, a verdadeira e pura fé, se fortalece nas horas de dificuldades, nos momentos de tempestade.
Quando tudo aconteceu em sua vida o criador tratou de enviar muitos de seus discípulos para ajudá-lo a superar esta crise. Mas você fechou-se dentro de sua própria falta de fé e preferiu se sentir uma vítima da situação à lutar para mudá-la.

Todos ao seu redor agarraram-se com todas as forças à cada raio de luz que o Senhor fazia brotar por entre as fretas da vida, mas você cerrou os olhos para o auxílio do Altíssimo.

Os planos do Senhor eram amplos para você. Se tivesse a verdadeira fé, e acreditasse que Ele jamais o deixaria, teria visto o mar de incentivos que estava recebendo. Teria confiado e lutado, teria aceitado o emprego que seu amigo Jorge ofereceu na empresa dele, teria prosperado novamente à ponto de comprar um grande percentual das ações da mesma, tornando-se novamente o homem rico e farto que sempre foi.
Neste meio tempo teria reconhecido o valor das amizades verdadeiras, teria visto o quão bem criados estavam seus filhos, o quão fiel e dedicada era sua esposa, o quão parceira a atenciosa era a paróquia à que pertencia. E principalmente, teria entendido o valor de se ter fé.

Não tenha fé somente quando tudo está bem, não grite sua fé apenas quando as coisas correm da maneira que você quer e espera. A verdadeira crença é demonstrada quando confiamos que nos momentos de maior tempestade, Deus estará ali com seu manto, nos mantendo protegidos para que somente as gotas de ensinamento nos alcance.




quarta-feira, 20 de março de 2013

As várias faces da vaidade...




Costumo ser grande observadora da vaidade humana. Talvez por que eu própria seja
vaidosa e deteste isto. Acho que intimamente percebo no outro aquilo que gostaria de
mudar em mim mesma.

O ser humano é extremamente vaidoso e muitas vezes não se dá conta disso. E não me
refiro aos meninos que passam gel no cabelo ou as meninas que se enchem de correntes
e anéis. Falo daquela vaidade intima que faz com que nos sintamos especiais,
destacados, diferenciados, mais merecedores do que o vizinho ao lado.

Noto isso em todo tipo de gente. É intimo e inconsciente às vezes.

Tem o vaidoso prestativo. Ele ajuda a todos, ele carrega a sacola, segura a porta do
elevador, oferece ajuda excessiva o tempo todo e nem se dá conta de que não é só pq ele
é bonzinho, mas sim pq ele tb quer ser visto como bonzinho! Faz bem pra sua vaidade
ouvir os comentários extras sobre a sua prestatividade.

Tem o vaidoso religioso. Ele está na terreira de umbanda, na missa do domingo, no
culto do pastor. É aquele que pensa que é especial porque tem algum dom. Ele è
médium, vê espíritos, ouve vozes, trabalha com entidades. Mas ao invés de usar isso em
prol da sua comunidade, daqueles com quem convive ao seu redor, prefere se botar num
altar, num pedestal. Sua vaidade o faz se sentir misterioso, sabedor de algo que ninguém
sabe, superior àqueles que ignoram seus muitos conhecimentos. Também ele pode ser
um fiel da igreja católica ou do culto evangélico, não importa. Ele leu mais a bíblia, ele
deu o maior dizimo, ele se sente diferenciado, ele é o melhor.

Tem ainda o vaidoso corporativo. Este então... eheheheh... ah como eu vejo isso todos
os dias... o trabalho que foi desenvolvido pelo grupo ficou incrível, o resultado do
processo não podia ser melhor, a meta foi sim atingida, mas quem quer apresentar isto
ao chefe é ele, o vaidoso, aquele que precisa se mostrar, se sentir importante, o que quer
ser o pai sozinho da criança, ainda que sua participação tenha sido a mínima...

Desconfie sempre de seu ego. Acredite em seu potencial, corra atrás de suas metas,
vença todos os obstáculos, mas não se descuide dele! Envaidecer-se é perder o tino da
razão, o senso do ridículo e principalmente, é vendar os olhos pro aprendizado diário
que o mais humilde dos humildes pode oferecer nessa escola chamada vida.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Poema: Eu sem você...




Toda noite a lua brilha prateada
Iluminando a madrugada
E a minha alma aquece.

Toda noite teu abraço apertado
Meu corpo no teu entrelaçado
E do mundo a gente esquece.

Sem a lua me sinto no escuro
Meu caminho é inseguro
Triste é noite sem luar...

Sem voce eu fico sem graça
E cada minuto que passa
Perco mais o brilho do olhar...




quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Eu te desejo em 2013...


Certa vez, o povo de um vilarejo decidiu se
reunir no centro do lugar para rezar pedindo por
chuvas, mas apenas um garoto levou o guarda-chuva.
O nome disso é fé. 

Quando você joga um bebê de um ano de idade para o alto,
ele gargalha porque sabe que na queda alguém irá segurá-lo.
O nome disso é confiança.




A cada noite, antes de dormir, não temos garantia
nenhuma de que estaremos vivos na manhã seguinte,
mas, ainda assim, colocamos o despertador para tocar.
O nome disso é esperança.


Que em 2013 nunca nos falte fé, confiança e esperança!



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta ao Ex!


“Prezado...” não, prezado não. É muito formal e, de mais a mais, não o prezo mesmo.

“Caríssimo...” ah não! Caríssimo? Caríssimo é algo de valor. Até admito que ele tenha lá um certo ar de grife, com aquele cabelo grisalho, aquele olho rasgado e aquele perfume importado,  mas daí a ele me ter algum valor, tá longe!

“Tom...” também não pode ser. Apelido é algo próximo que se usa com quem se tem intimidade. E esta, definitivamente, não temos mais.

“Sr. Antonio...” não, não... apesar dos meus quarenta anos, nunca fui fã dos coroas. Chamá-lo de senhor me remeteria a uma verdade que não quero reconhecer: já somos sim coroas, ele e eu.

 “Antonio...” é! É o seu o nome! Ficou bem melhor assim, até porque há tantos e tantos anos não o chamo pelo nome!

Primeiro era o apelido comum: Tom! Depois foram os apelidos íntimos: negro, amoreco, leãozinho (tigrão em alguns momentos...). Por ultimo já eram os apelidos doloridos: canalha, cretino, cafajeste!
É isso, encontrei a maneira certa de chamá-lo: pelo nome próprio.
Como se faz com o rapaz da farmácia, alguém que você conhece, mas não tem nenhum vinculo e nem quer ter.

Chamá-lo pelo nome é como cortar a fita que inaugura essa nova fase em nossas vidas.
Uma fase em que não comeremos cachorro quente na madrugada depois de uma noite de festa, não faremos mais piquenique no parque nas tardes de domingo, não veremos mais filme embaixo do edredom nas noites de inverno, não nos ligaremos muitas vezes por dia pra contar os mínimos acontecimentos, não dividiremos mais a mesma taça de vinho antes do jantar...

Essas lembranças até me deixariam triste agora se não viessem acompanhadas de outra fase. Uma que espero não viver nunca mais...
Fase das descobertas, das desilusões, de entender que ninguém pertence à ninguém e que nada é eterno. De ver a mala sendo arrumada, de tomar decisões práticas como mudar o nome na carteira de identidade. De ter que dividir as fotos e os livros, de fingir que está tudo bem só pra não dar o braço a torcer até a porta se fechar...

Engraçado agora poder pensar em tudo isso sem chorar, sem sofrer, sem me abalar! Tudo passa mesmo nessa vida, bem já dizia minha vó...
Tanto passa que na verdade já não lembro mais o que ia escrever a ele!

Ah, quer saber? Deixa pra lá! Vou pegar a minha bolsa e correr que já to atrasada pro meu pilates!